
A TV Cultura está recebendo reclamações de telespectadores descontentes com a exibição de uma série que mostra limpadores de fossas, inspetores de esgoto e inseminadores de vacas, além de cavernas repletas de fezes de morcegos e outras ações e atividades degradantes. O problema principal é que o programa vai ao ar bem no horário em que muita gente está à mesa de jantar: 20h das sextas-feiras.
A série, Trabalho Sujo, faz parte de uma parceria da Cultura com o canal Discovery. O ombudsman da Cultura, Ernesto Rodrigues, saiu em defesa dos telespectadores. Ele questiona a relevância e o horário de exibição do programa apresentado pelo biólogo Mike Rowe, sobre “os trabalhos mais inusitados do mundo”.
Em seu blog no site da Cultura, Ernesto Rodrigues escreveu na última segunda-feira:
“No dia 28 de setembro, num texto sob o título ‘Fora de hora’, esta coluna já tinha manifestado preocupação com a série Trabalho Sujo, argumentando que o assunto não era dos mais desejados para um horário em que muitos telespectadores estão à mesa do jantar. Na mesma coluna, este ombudsman dizia que a simples descrição do conteúdo de um dos episódios da série já seria um teste para estômagos mais sensíveis: a aventura de um biólogo maluco em uma caverna com milhões de morcegos, suas toneladas de fezes e outros penduricalhos repugnantes; o manuseio da lama misteriosa de um pântano de Nova Jersey e o dia-a-dia de uma fábrica especializada no corte e no desentranhamento de toneladas diárias de peixe, um processo cujos resultados são um dito ‘milkshake’ fedorento que dá nojo só de olhar, e um ‘pão’ feito de sangue e pó de peixe.
Na tentativa de sensibilizar a direção da Cultura, Rodrigues reproduziu o seguinte trecho de uma carta que recebeu de um telespectador: “Eles trituram os caranguejos vivos e fazem outros tipos de crueldades com os animais. Meus filhos estão querendo moer nossos cachorros, gatos e tudo o que é bicho. A TV Cultura enlouqueceu?”.
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